Depressão não é frescura

A depressão não é “frescura, vagabundice ou falta do que fazer” como algumas pessoas falam no senso comum. É um transtorno psicológico que deve ser tratado, pois tem várias causas orgânicas e psicológicas. Ela interfere na vida de forma geral, tanto no âmbito pessoal como profissional e qualidade de vida.

De acordo com a OMS, a doença passou a ser tão presente nas pessoas no mundo moderno que passou a ser apelidada de “a doença do século”.
Temos que diferenciar tristeza de depressão. A tristeza faz parte da vida e é uma emoção que precisa ser vivida. A depressão é muito mais que tristeza e pode ter início sem especificação ou após uma situação vivida, por exemplo, a perda de um ente querido. É um conjunto de sintomas físicos, emocionais e cognitivos que corroboram para que o quadro permaneça e/ou se agrave ao longo do tempo. Os sintomas depressivos permanecem ao longo de um período de tempo, seis meses ou mais, além de atender alguns critérios.
Podem-se identificar possíveis causas e fatores de risco para a depressão: fatores genéticos, falta de apoio da família e amigos, estresse, doenças gástricas, depressão anterior, histórico familiar de depressão ou transtorno bipolar, desordem pré-menstrual, vítimas de violência e pós-parto.
Sentir-se triste, para baixo por um período, faz parte da vida. Mas se o vazio, a desesperança e o desespero são duradouros pode ser indício de depressão.
Os sintomas em adultos são: isolamento social, tristeza, alteração no sono e do apetite, perda de libido, cansaço constante, irritabilidade, angústia, inquietação e ansiedade, problemas de concentração, falta de interesse por atividades que antes davam prazer, pensamentos pessimistas e de morte, dificuldade para se concentrar, baixa auto estima, apatia, choro frequente, dificuldade para realizar atividades rotineiras, pensamentos suicidas, problemas digestivos, dor de cabeça, sensação de fracasso e inutilidade, tensão muscular, entre outros…
Os sintomas em crianças são diferentes: irritabilidade, redução no interesse em brincadeiras, queda no rendimento escolar, sensação de cansaço, ansiedade, dores somatizadas, entre outros.
Se não tratada de forma correta, a depressão pode durar por muito tempo, causando sérios problemas na vida do paciente, comprometendo relações familiares, no trabalho, amizades e aumentando os riscos de suicídio.
Na maioria das vezes, o tratamento é feito em conjunto pelo psiquiatra e o psicólogo. Existem diversos medicamentos antidepressivos, que ajudam a regular a química cerebral e a abordagem psicoterápica mais utilizada é a cognitivo-comportamental. Além disso, é importante gerenciar o estresse e compartilhar as dificuldades. Atividades como leitura, aprender coisas novas, ter hobbies e se divertir ajudam a manter a cabeça ativa e livre de pensamentos negativos ou preocupações excessivas. O otimismo, ladeado de bom-senso, assegura o bem-estar emocional.
É importante praticar atividade física regularmente, pois esta prática incentiva a liberação de hormônios e outras substâncias importantes para a manutenção do humor. Pesquisas recentes também revelam que até a dieta influencia as emoções. Nesse quesito, vale se inspirar no cardápio dos mediterrâneos, abastecido de azeite de oliva, peixes, frutas, verduras e oleaginosas (nozes, castanhas…).
Enfim, nota-se que a depressão é muito mais complexa do que “frescura”, é uma doença e deve ser tratada como tal, com profissionais especializados para isso!

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